Foi numa sexta-feira 13 que fiz muito provavelmente a melhor caçada da minha vida.
O dia começou ás 06 e pouco da matina, por isso quase que eu ia para o mar sem o fato.Tudo pronto seguimos para norte da ilha porque o lado sul não deixava. No barco éramos 3, eu o Paulinho e o pai dele que éra o nosso barqueiro.A primeira paragem foi na baixa dos inhames e esta como de costume não tinha peixe nenhum, seguimos mais para norte até ao próximo spot, muito conhecido pelos tubarões.Caímos na água, a visibilidade éra boa, nada de corrente e pouco depois aparecem as serras, éram umas centenas delas mas na ansiedade falho o tiro e quando estou a armar a arma, vejo um bom irio a vir na minha direcção mas como não estáva pronto, chamei o Paulo que o trancou. Mais uma volta pela baixa e as serras entram de novo, trancámos cada uma nossa e chamámos logo o barco. Estáva o Paulo num agachon quando aparecem dois martelos a rondar. Eu nunca tinha estádo dentro de água com tubarões mas em momento algum senti me ameaçado ou preocupado, o único problema éra que o peixe desaparecia todo. Depois deles perderem o interesse, voltou tudo ao normal e as serras voltaram também e foram mais duas para o barco. Mais umas voltas tranco uma bicuda e um encharéu o Paulo também tranca mais um irio e voltam mais dois martelos e na mesma altura entram vários voadores (espécie parecida com os bonitos), mas nunca se deixaram aproximar o suficiente. Após nos afastarmos um bocado da baixa, saltámos para o barco para mudarmos de lugar só que aprecebemonos que estávamos longe da zona principal da baixa e voltámos para lá.Após cairmos na água, vejo uma bicuda grande no fundo e caio sobre ela e tranco-a. Foi uma guerra, levou fio e ainda conseguia me puxar para o fundo, isto sim era uma caçada. O Paulo trancou mais um belo irio e voltaram as serras só que como eu estáva cansado da bicuda, não tinha muita apneia para ajeitar o tiro e só o Paulo conseguio trancar uma. Táva feito o dia mas ficaram as imagens de estarmos a meia água rodeados por centenas de serras, não é todos os dias.
O que é um flasher? Provávelmente muita gente nunca ouviu falar neste auxiliar; aderesso ou obra de arte, que de facto ajuda muito quando se procura capturar um troféu. O flasher é um equipamento utilizado na caça submarina, e que tem como objectivo atrair os peixes que estão fundos ou espantados. Os pelágicos, principalmente os írios, são como as galinhas, são muito curiosos, daí o sucesso destas engenhocas. Os flashers podem ser adquiridos pela net, mas teem um preço um pouco elevado, para a maioria das carteiras. Com um pouco de imaginação e alguma pesquisa na internet, pode-se fabricar um em casa, bastando para tal, ter alguns materiais brilhantes e o resto é inventar. A opção mais fácil é usar CD's, que teem um óptimo efeito com a luz solar mas deterioram-se rápidamente, as outras opções consistem em materiais resistentes à água salgada mas exigem muito trabalho e dedicação. Apresento aqui dois flashers feitos por mim. O primeiro é feito com tela asfáltica e já deu frutos, se bem que já me disseram que eu devia-o pendurar numa parede.
O segundo flasher é feito com chapa inox e fita brilhante, acabando com uma lula de silicone e um peso para o manter na perpendicular. Este segundo ainda não foi testado e é recente mas não tenho dúvidas que irá funcionar bastante bem. (eu se fosse peixe, sentiria-me atraído por uma coisa destas)
Agora só resta esperar que venha bom tempo e experimentar. Pena que estas engenhocas não funcionem com as vejas...
Foi no passado dia 26 de Setembro de 2009, que tive uma das melhores experiências de caça submarina. Dias antes, verificando que o tempo estáva para se manter favorável a uma saída de barco, ligo ao Paulo Sousa (companheiro de caçadas) a saber se estaria de folga nesse fim de semana. Tratámos logo de acertar a hora e encontrar mais uma pessoa. Liguei ao Nelson e ficou tudo certo para um belo dia de mergulho. Essa madrugada começou atribulada, visto o meu despertador não estar definido para despertar aos sábados e as 6:15 já iam longe, se não fosse o Nelson a me ligar eu dormia até ao meio dia. Chegados ao barco, soube que teriamos barqueiro o que queria dizer que podíamos estar os 3 dentro de água. Zarpámos em direcção à baixa do sul na esperança de encontrar algum peixe de jeito, mas estáva fraco, andáva lá um cardume grande de encharéus mas estávam muito fundos. Uns agachons para ver se entráva algum írio, mas nada, umas quedas atrás de umas bicudas, nada, o peixe estáva todo escaldado. Acabando de dar a volta á baixa e .................... diz o Paulo, "o que é isto", a mim pareciam-me bicudas grandes, enormes, gigantes.
Éram Whaoos e bastantes.
O pessoal tenta chegar-se o mais que pode e notámos que não estávam espantádos. Eu fui o primeiro a conseguir uma distância razoável (julgáva eu), vou todo ligeiro e confiante com o meu canhão de 1mt e zás, o arpão ficou a meio caminho (hehe), eles vieram de novo e aí foi o Paulo com a sua arma de 1.30mt e atirou em cheio, num piscar de olhos o animal levou-lhe o fio todo para o fundo mas não corria muito o que éra indicio de que o arpão estáva a trincar alguma coisa que lhe tiráva a força. O Paulo foi puchando o fio para cima e como não sabíamos se estáva bem trancado ou não, logo que o peixe estáva a jeito fui a baixo e enfiei-lhe ferro no lombo (adoro esta expressão), agora éramos dois a puchar por ele e ainda assim o peixinho dáva luta.
Assim que o peixe chegou à superfície, deitei-lhe a mão à cauda e o Paulo agarrou-lhe nas guelras e rematou-o, este já não fugia. Enquanto eu e o Paulo estávamos a tratar deste amigo, os outros vieram novamente (não sei se éra do perfume, mas os gajos não bazávam) e o Nelson fez-se a eles com a sua arma de 90cm mas não teve sorte, o que demonstra que para cada tipo de peixe temos que ter o material indicado, para termos sucesso na captura e para não perdermos o material que é dispendioso.
Ver um cardume com cerca de 8 ou 9 peixes daqueles, é algo que eu só ouvia dos outros e que nunca pensei ver, muito menos ter a oportunidade de enfiar ferro num deles, mas o mérito foi todo do Paulinho que soube ter a calma necessária para uma boa aproximação e com a boa arma dele proporcionou-nos um excelente dia de caça. Depois de saírmos da baixa fomos para o lado sul da ilha mas não apanhámos nada de interessante.
O peixe foi amanhado em minha casa e depois de tirar a espinha e cabeça, pesou cerca de 15kg, o que fazendo contas á cabeça, tripas e espinha, este peixe devia ter cerca de 20kg. Nada mal.
Para o ano este tipo de peixe está de volta e se calhar bem, mais algum será apanhado.
Pois é. Meti-me numa grande aventura, na qual aprendi muito e até certo ponto diverti-me bastante. Nos primeiros meses de 2009, já não sei bem qual, o Paulo Nóbrega fez-me uma pergunta ........ "Queres participar no Rumo ao Abismo 2009?"
http://www.rumoaoabismo.com
Após a minha confirmação, tratámos de combinar treinos de terra e mar, visto que aquela altura do ano o mar nem sempre está favorável. A disciplina que eu ia participar era Imersão Livre e tinha que atingir 47mt.
O primeiro treino foi em terra, numa escadas, onde se consegue simular um mergulho profundo e onde tinha-mos que descer as escadas com os pulmões cheios e tentar encontrar o ponto de viragem para voltar ao ponto de partida. Com os pulmões cheios foi na boa mas sem ar a coisa foi diferente e foi um tal sofrer, ainda mais porque se alguém tivesse um samba ali, o chão era duro. hehe Entretanto quando ia-mos à piscina, praticava-mos mergulhos negativos na parte mais funda da piscina, para nos prepararmos para mergulhos mais fundos. Começaram os treinos de mar e rapidamente atingi os 30mt com alguma facilidade, a partir daí foi mais demorado mas progressivamente cheguei aos 40mt, nos quais chegava sempre à superfície com alguma margem e bastante confortável. Com o aproximar da prova, chegou o Francisco e com ele vieram alguns franceses, espanhóis e um finlandês, que iam fazer um camping de apneia com o Francisco, o que fazia com que os nossos treinos demorassem muitas horas e poucos mergulhos a cada um. Éram esses franceses e espanhóis que iriam fazer a segurança da prova e entre eles estáva o mundialmente conhecido Rafael Serrano. Apenas no último treino antes da prova e com bastante corrente, consegui atingir os 45mt, também com uma saída limpa na superfície.
Chegado o dia (10 de Agosto), reunimos as tropas e largámos para o local escolhido. O primeiro a tentar seria o Francisco que teria de fazer 82mt peso constante com barbatanas, mas verificou-se que havia muita corrente em profundidade e adiou, o mesmo sucedeu-se com o Paulo que teria de fazer 70mt, em peso variável. O próximo na lista era eu, e apesar da corrente, decidi arriscar o mergulho. Após a preparação na superfície, fiz um mergulho de cerca de 15mt para aquecer e tentei preparar-me para a derradeira tentativa. Como havia alguma ondulação, a preparação não era fácil e para piorar as coisas eu não conseguia relaxar e aliviar os pulmões (aquela sensação de bocejo), mas lá inspirei o máximo de ar possível e meti algumas amostras de carpas e afundei. Nos primeiros 10/15mt, como a flutuabilidade é ainda muito positiva, as malhas com 20kg usadas para esticar o cabo, eu estava praticamente a puxar-las para cima e o rendimento não era o mesmo. Atingida uma cota com flutuabilidade negativa a coisa melhorou e depressa o primeiro alarme dos 30mt tocou, logo de seguida tocou o dos 40mt, mas já não via a hora de chegar à malha, mais um puxão ou dois e sinto os pés a tocar na marca, foi agarrar uma TAG qualquer e toca para cima. Os primeiros metros são um autêntico sacrifício, visto a flutuabilidade ser muito negativa naquela profundidade e os puxões rendem pouco ou nada. Como não encontrei lugar para "arrumar" a TAG, resolvi leva-la na mão e tentei não pensar na distância que ainda faltava. A cerca de 20 ou 15mt da superfície senti alguma sonolência, mas como estava a me sentir bem, não me preocupei e só pensava em acabar com aquilo, mais uns metros e estava eu fora de água mas a dormir ?????????, só me lembro de acordar e pensar que estáva na minha caminha e como é que agora tinha aqueles franceses feiosos á minha frente, pois é, eu já tinha ouvido falar de blackout's e visto filmes no youtube, mas éra o que me tinha acontecido e tanto esforço para nada. De seguida foi a vez da Simone que tinha que fazer 30mt em peso constante sem barbatanas, mas só atingiu 25mt, tendo resolvido tentar no dia seguinte os 30mt, assim como o Francisco e o Paulo. No dia seguinte eu não quis tentar mais vez nenhuma, pelo facto de estar com o peito a doer e não conseguia encher bem os pulmões (desculpa mais esfarrapada), mas o resto do pessoal tentou e fizeram todos as suas marcas anunciadas.
Eu não fiquei muito desiludido comigo, porque fui aos 47mt, mas passado algum tempo fiquei com aquela sensação de que se tivesse tentado se calhar conseguia..... Tentei sintetizar o mais que pude esta minha experiência na profundidade e espero não ter feito um artigo muito longo e sequioso. Espero que gostem.
Como devem ter reparado, há algum tempo que não escrevo um artigo. Após o último, muita coisa aconteceu e muita apneia eu fiz, mas a maior aventura de todas foi sem dúvida o Rumo ao Abismo 2009. Brevemente irei colocar novos textos a contar estas aventuras e algumas histórias de caçadas minhas.
Neste primeiro artigo sobre apneia, irei fazer referência aos apneistas faialenses, bem como ao nível a que esta modalidade chegou. Sei que não sou a pessoa mais indicada para falar sobre este assunto mas farei os possíveis para não dizer muitas asneiras. Pelo que sei, esta modalidade começou á cerca de 10 anos cá na ilha e com muito poucos praticantes, hoje já somos alguns e com resultados bastante simpáticos, mesmo a nível nacional. Eu aderi a esta comunidade á pouco mais de um ano e desde então pude me inteirar de todo o ambiente em volta dos treinos e competições. Nos treinos o ambiente é o mais relaxado possível e com muita "galhofa", e só com o aproximar das competições é que aparece mais pessoal para treinar, visto que no resto do ano os treinos resumem-se a 3 ou 4 pessoas no máximo, por vários factores: 1- O preço das entradas para a piscina são um pouco elevados; 2- Grande parte do pessoal só pode treinar depois do trabalho e por isso os treinos são depois das 6 horas; 3- De inverno as temperaturas não são tanto convidativas a andar de tanga; 4- De verão os dias são grandes e depois do trabalho muitos aproveitam para fazer um pouco decaça submarina. Outros factores existirão para afastar o pessoal dos treinos, mas quando se aproxima de uma competição é vê-los todos com a cabeça debaixo de água. Os treinos distribuem-se por várias etapas, digamos assim, antes de tudo fazem-se uns alongamentos para acordar os músculos, de seguida umas 4 piscinas para ambientar o corpo á temperatura da água. Depois vem o treino propriamente dito, que consiste numa sessão de relaxamento para diminuir o ritmo cardíaco e algumas estáticas para abrir os pulmões e preparar a "caixa". De seguida treinam-se as dinâmicas, com e sem barbatanas. Os treinos não consistem em efectuar máximos em ambas as disciplinas, mas sim fazer séries de 50 metros ou 75 m. Se por acaso durante uma dessas séries um dos atletas se sentir confortável no final da marca pensada inicialmente, aí faz um máximo para que o corpo se vá habituando e o atleta saiba até onde pode ir. Claro que durante um treino, o atleta enquanto está debaixo de água, não tem nada que o convença a ficar mais tempo lá em baixo, por isso nos treinos é raro fazer boas marcas ou recordes pessoais, enquanto que numa competição a conversa é diferente. Os treinos de estática, que por sinal poucos de nós o apreciam (só um), consistem em grupos de 2 ou 3 conforme o pessoal e vão-se revezando na contagem dos tempos. Na estática a ideia é não pensar em nada, tentar se abstrair de tudo, o que para mim é quase impossível. Nessa altura, tento efectuar um percurso virtual, tipo ir de casa até um local, porque se começar-mos a pensar no tempo ou distância, aí ardeu, podemos esquecer uma boa prova.
Os resultados das minhas provas e do pessoal do Faial, podem ser consultados no seguinte link.